Harmony Hammond + Ivens Machado

A exposição Harmony Hammond + Ivens Machado no auroras propõe um diálogo inédito entre a obra de Ivens Machado (1942–2015), figura central da arte brasileira dos anos 70, 80 e 90, e Harmony Hammond (1944), artista, escritora e curadora independente estadunidense, pioneira do movimento feminista nos Estados Unidos no início dos anos 70. A mostra articula as fronteiras entre corpo, materialidade e política.

As obras reunidas – esculturas, pinturas, relevos e fotografias produzidas entre 1973 e 2023 – desafiam categorias formais e empregam elementos como concreto, ferro, gaze, latex e cera. Essas construções evidenciam a fisicalidade da matéria por meio de procedimentos incisivos, evocando a violência como operação tanto conceitual quanto visual. Enquanto Machado explora o corpo como território de tensões biológicas e materiais, Hammond atua na fricção entre processos visuais e militância política. Ambos abordam a vulnerabilidade do corpo humano e a instabilidade material, criando obras abstratas de aspectos ambíguos, entre a ferida e o curativo, a ruína e a construção.

Ao colocar esses dois artistas em diálogo, a mostra não apenas cria pontes entre geografias distintas, mas também evidencia a arte como ferramenta de ruptura e resistência. A exposição propõe um encontro possível entre corpos que, mesmo distantes no espaço, compartilham uma sensibilidade comum frente às estruturas de opressão.

A exposição é realizada em colaboração com as galerias Fortes D’Aloia & Gabriel e Alexander Gray Associates.

The exhibition Harmony Hammond + Ivens Machado at auroras proposes an unprecedented dialogue between the work of Ivens Machado (1942–2015), a central figure in Brazilian art of the ’70s, ’80s, and ’90s, and Harmony Hammond (1944), an American artist, writer, and independent curator, pioneer of the feminist movement in the United States in the early ’70s. The exhibition weaves together the boundaries between body, materiality, and politics.

The works on view—sculptures, paintings, reliefs, and photographs produced between 1973 and 2023—challenge formal categories and employ materials such as concrete, iron, gauze, latex, and wax. These constructions foreground the physicality of matter through incisive gestures, evoking violence as both a conceptual and visual operation. While Machado explores the body as a site of biological and material tension, Hammond works in the friction between visual processes and political militancy. Both artists address the vulnerability of the human body and the instability of materials, creating abstract works of ambiguous nature—between wound and dressing, ruin and construction.

By bringing these two artists into dialogue, the exhibition not only builds bridges across distant geographies, but also underscores art as a tool for rupture and resistance. It proposes a possible encounter between bodies that, although far apart in space, share a common sensibility in the face of oppressive structures.

The exhibition is presented in collaboration with the galleries Fortes D’Aloia & Gabriel and Alexander Gray Associates.

Arto Lindsay

Simultaneamente rigorosa e intuitiva, a exposição oferece um cruzamento de linguagens característico da prática de Lindsay e reafirma o compromisso com a experimentação.

6 de julho – 24 de agosto 2025

foto: Ding Musa

Renée Green Aproxime-se: Perceptos

Commemorative Toile (Brasil), 2024

O auroras tem a honra de realizar a primeira exposição no Brasil de Renée Green (Cleveland, EUA, 1959), renomada artista, cineasta e escritora. A exposição apresenta a prática internacional de Green, que abrange quatro décadas de trabalho e emprega uma gama de suportes —pintura, esculturas, instalações, filme, vídeo, obras sonoras, Space Poems, arranjos arquitetônicos, entre outros— refletindo os efeitos de uma esfera transcultural em transformação e o que agora pode ser feito e pensado.

Após uma estadia no auroras no início de 2024, Green selecionou cuidadosamente para esta exposição três conjuntos de obras de diferentes décadas que ressoam com a arquitetura modernista do local, bem como a relação poética, histórica e pessoal contínua da artista com o Brasil.

14 de setembro à 30 novembro 2024

fotos: Ding Musa

Dudi Maia Rosa e Anderson Borba

No espaço principal do auroras, os artistas mostram um conjunto de trabalhos de parede, relevos e esculturas. Ambos têm uma relação pictórica com o objeto – seja dando uma dimensão escultórica à pintura ou criando qualidades de superfície nas esculturas e relevos.

junho – agosto 2024

foto: Ding Musa

Alba Clemente – Messinscena

Messinscena, a primeira exposição de Alba Clemente, atriz de teatro, designer, figurinista e artista visual.

Na reprodução em miniatura deste teatro na biblioteca do auroras, o espectador é colocado em um lugar imaginário, onde a visão do ator e a visão do público se sobrepõem.

Ainda na biblioteca, a artista exibe uma série de desenhos em tela inspirados em “Victory City”, último livro de Salman Rushdie. Surpreendentemente gráfica e ao mesmo tempo silenciosa e discreta, esta série é intitulada “City of Words” [Cidade das Palavras].

abril – junho de 2024

Amy Sillman – Objeto Temporário

Amy Sillman no auroras 

O políptico “Objeto Temporário” percorre a exposição como uma espinha dorsal, montado como uma única linha que atravessa a casa. Nesta obra, que dá nome à exposição, Sillman rastreia os gestos realizados durante a confecção de uma única pintura e os traduz em uma linha do tempo de desenhos diagramáticos.

setembro – novembro de 2023

fotos: Ding Musa

Quebrada de Alexandre da Cunha

“Quebrada”, projeto de Alexandre da Cunha para a piscina do auroras

O trabalho consiste na montagem de uma série de toldos coloridos que se projetam da beirada da piscina para o interior, fazendo referência à composição espacial de um impluvium, uma pequena vila, uma feira de domingo, uma piazza ou uma quebrada.

fotos: Ding Musa

Setas e turmalinas

Casa de Cultura do Parque – de 9 de abril a 12 de junho

Vi a cidade silenciosa e duas turmalinas, a pedra que atrai a cinza. Vi as amarrações, as derrotas e as vitórias. Vi a paisagem sem folha, e o sol do outro lado. Uma noite longe. Vi a cadeira solitária, as beringelas e duas partes do outro. How this incredible transformation will end remains uncertain. Vi a mão aberta, a que tem a chave e a que grita. Vi um Posada pós-moderno, que adora a Santa Muerte. Vi um Satã romântico, meditando sobre as flechas. Vi o pau ereto. Vi a cobra engolindo seu rabo, vi os caminhos bordados do infinito. Fala-se em mar, fala-se em amar. Vi as tetas, e a máscara colonial. Vi mais que um olho e emblemas numinosos. Vi o horizonte, essa linha que discerne os mundos.
Imaginei a métrica utópica, ótica, poética. Um dia de chuva, vi as correntes de sangue. Uma pedra no caminho, a repetição. Vi a mulher, a power house, tudo se armando em luz ou escuridão. Vi a resistência no bico do japuíra, que imita o canto de outros pássaros. Vi o nariz, a orelha e a glande. A árvore morrenasce. Vi a iúna, e ouvi o seu canto – a sagração da vida pelo ritual da morte. Água de beber, tá me chamando.

Acauã e o fantasma

Exposição que reúne obras de Rivane Neuenschwander e José Bezerra no auroras

curadoria: Gisela Domschke

Visite o viewing room: http://auroras-online.art/acauaeofantasma/

Do que é feito o encontro? Dois modos quanto ao desvelamento ou à revelação. Na série Caça ao Fantasma, a palavra tem como essência o fazer ver; manifesta o que está escondido. E nesse pathos do saber, controla o visível, recolhe os signos do mundo social, viajando pelos labirintos do eu desejante. Através dos vários atalhos da interpretação, Rivane Neuenschwander nos convida a circular pelos devires imaginários e simbólicos dessa cartografia fantasmática. Nas esculturas do Zé Bezerra, é o visível que se dá, como em uma aparição. O acauã, o gato do mato, o mocó aparecem no lenho para o artista, que tem na vista o momento pregnante da ação. Uma perspectiva onde o humano se estende aos outros existentes. Zé canta o que diz a jurutê – nome indígena para a peroba d’água. Através dessas sensibilidades, o encontro reúne dois modos de estar neste mundo, suas distâncias externas e internas, suas variações que relacionam, suas diferenças que revelam as múltiplas vistas do ponto.